Dia dos Pais: quando o vínculo é construído pelo afeto e pela presença
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Data convida à reflexão
sobre a importância da presença paterna e da construção de vínculos por meio do
cuidado e do afeto
Créditos: Magnific
Brasília (DF) - No segundo domingo de
agosto, o Dia dos Pais costuma celebrar histórias marcadas pelo cuidado, pela
presença e pelo afeto. Para muitas famílias que passaram pela adoção ou pelo
acolhimento familiar, porém, a data ganha um significado ainda mais profundo: representa
a construção de um vínculo que nasceu na convivência, foi fortalecido pela
confiança e transformou o conceito de paternidade em uma experiência cotidiana
de acolhimento.
Ao mesmo tempo em que
homenageia pais presentes, a data também convida à reflexão sobre uma realidade
que afeta milhares de crianças brasileiras: a ausência da figura paterna.
Muitos meninos e meninas crescem sem o reconhecimento legal do pai ou sem sua
participação efetiva na criação, enquanto as mulheres assumem, sozinhas, a responsabilidade
pelos cuidados e pela educação dos filhos.
Nos últimos anos,
especialistas têm ampliado o debate sobre o chamado "abandono
paterno" ou "abandono parental paterno", expressão utilizada
para discutir a ausência material e afetiva de pais na vida dos filhos. Em
alguns espaços, também ganhou visibilidade o termo "aborto paterno",
empregado em debates públicos para criticar a renúncia às responsabilidades
parentais por parte de alguns homens. Embora a expressão não tenha
reconhecimento jurídico e seja alvo de controvérsias entre especialistas, ela
evidencia uma discussão cada vez mais presente sobre a necessidade de ampliar a
responsabilização da figura paterna na criação dos filhos.
Para Maria da Penha
Oliveira, psicóloga e coordenadora do Grupo Aconchego, ser pai é muito mais do
que algo biológico, o papel do pai é importante para a formação da criança
"A paternidade não se constrói apenas pelo vínculo biológico. Ela nasce da
presença, do cuidado e da disponibilidade para construir uma relação de confiança
com a criança. É no cotidiano, nas pequenas experiências compartilhadas, que
esse vínculo se fortalece e o sentimento de pertencimento se consolida",
afirma.
Nas famílias formadas por
adoção, essa construção acontece de forma gradual. O primeiro Dia dos Pais
costuma representar um marco importante, resultado de um processo de adaptação
em que adultos e crianças aprendem a construir uma nova relação. O
reconhecimento da figura paterna, muitas vezes, surge aos poucos, conforme o
vínculo é fortalecido nas experiências compartilhadas do dia a dia.
Os primeiros meses de
convivência podem ser desafiadores. Crianças que passaram por situações de
violência, negligência ou acolhimento institucional carregam histórias que
influenciam a forma como estabelecem novas relações de confiança.
Nesse contexto, a
especialista destaca que a paciência, o respeito ao tempo da criança e a
construção de uma rotina estável são elementos fundamentais para o
fortalecimento dos vínculos. "Toda criança precisa de adultos que sejam
referências de cuidado e proteção. No caso da adoção, esse vínculo vai sendo
construído aos poucos, respeitando o tempo da criança, sua história e suas
vivências. O afeto é resultado de uma relação que se estabelece com segurança,
acolhimento e permanência", explica Maria da Penha.
Além da realidade das
famílias adotivas, o Dia dos Pais também abre espaço para discutir a
importância da participação paterna desde os primeiros anos de vida. Estudos
mostram que o envolvimento ativo dos pais contribui para o desenvolvimento
emocional, cognitivo e social das crianças, reforçando que a parentalidade deve
ser exercida de forma compartilhada.
Para o Grupo Aconchego,
ampliar esse debate significa reconhecer que toda criança tem direito não
apenas a uma família, mas a adultos que assumam, de forma responsável, seu
papel no cuidado e na proteção. Mais do que celebrar a figura paterna, a data é
um convite para refletir sobre a importância da presença, do compromisso e da
construção de vínculos capazes de transformar histórias.
Sobre o Grupo Aconchego
O
Aconchego é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, fundada em
dezembro de 1997, que trabalha em prol da convivência familiar e comunitária de
crianças e adolescentes em acolhimento familiar e institucional.
Filiado à Associação Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção – ANGAAD o Aconchego é reconhecido como referência em Brasília e conta com grande projeção nacional na criação de tecnologias sociais com vistas à garantia do direito das crianças e adolescentes à convivência familiar e comunitária, por meio de ações de intervenção com potencial para a transformação social e cultural.
Com informações da
assessoria de imprensa



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