Autuações de transporte clandestino até julho deste ano quase empata com 2025 inteiro
As autuações de ônibus
interestaduais agindo de maneira clandestina no país atingiram, no período de
janeiro e julho deste ano, quase o mesmo patamar de todo o ano passado e bem
próximo do recorde registrado em 2023. De acordo com levantamento feito pela Associação
Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati), com
dados colhidos junto à ANTT, nos primeiros de janeiro a julho deste ano foram
autuados 3.525 veículos, enquanto em todo o ano de 2025 elas chegaram a 3767.
Em 2023, maior resultado dos últimos quatro anos, somaram 4.174 autuações.
Ao se comparar o recorte do
mesmo período em todos os anos anteriores, as projeções indicam um resultado
preocupante. Enquanto nos primeiros sete meses de 2026 foram 3.525 autuações,
no ano ppassado total era pouco acima da metade: 1891. Em 2022 foram 1216; 2023
(ano recorde), 2.494; em 2024 tivemos 890 atuações.
“Autuações de veículos são
bastante comuns nas estradas federais. O que chama a atenção é o aumento
exponencial das autuações por transporte irregular. Em sete meses elas
representaram 42,1% do total dos autos de infração. Ao longo de todo o ano
passado esse percentual foi de 25,8%”, alerta a diretora-geral da Abrati,
Letícia Pineschi.
Apesar de uma malha viária
menor, o Distrito Federal lidera as estatísticas de autuações no período de
2022 a 2026, com 3.425, seguido por Goiás com 2.917; São Paulo com 2341 e Minas
Gerais com 2.076. Se o recorte for de percentual de clandestinos versus número
total de autuações, Goiás passa a liderar as estatísticas nacionais com 45,2%,
seguido de Mato Grosso do Sul com 39,5% e Minas Gerais, com 27,7%.
“O crescimento dos números
absolutos e relativos deve-se a vários fatores. Um deles é a facilidade de
oferta de passagens que podem ser adquiridas em plataformas virtuais e nas
redes sociais, sem que o comprador possa diferenciar o que é lícito e o que é
pirata. Por outro lado, o aumento das autuações pode parecer um bom sinal mas
ele vem acompanhado do aumento do transporte clandestino. E a ANTT não tem recursos
nem pessoal suficiente para fazer a fiscalização adequada”, prosseguiu Letícia.
A diretora-geral da Abrati
defende que a tecnologia seja usada como arma contra o transporte clandestino.
“Vistoriar essas plataformas e redes sociais que ofertam passagens de viagens
irregulares é o primeiro passo. Depois usar a rede de câmeras que estão nas
rodovias para ajudar no controle. Elas não são capazes de multar, de
descobrir se um veículo está com IPVA atrasado ou se o motorista está com a CNH
suspensa? Qual dificuldade de ela comparar a placa do ônibus com a lista das
empresas regulares da ANTT? Ou descobrir se aquele veículo passa por aquele
trecho todo dia no mesmo horário, indicando ser uma linha regular?” questionou.
Letícia reforça que o
consumidor também pode e deve se precaver do transporte clandestino. Ela cita
alguns cuidados:
1 – Passagens regulares, ao
serem emitidas, geram um comprovante de compra informando preço, impostos,
taxas, QR Code e local de embarque seguro
2 – Embarque e desembarque SEMPRE acontece em terminais rodoviários. Duvide se
a compra indicar um lugar diferente de partida ou chegada.
3 – Se puder, peça à companhia a inscrição da mesma na ANTT e compare com os
dados oficiais, embora isso seja mais difícil.
Com informações da
assessoria de imprensa



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