Reintegração familiar prioriza o fortalecimento dos vínculos e garante o direito de crianças voltarem ao convívio com suas famílias
Especialista explica que o
acolhimento é uma medida temporária e que, sempre que houver condições de
segurança e proteção, o retorno à família de origem é o principal objetivo
previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente
Brasília (DF) - Ao contrário
do que muitos imaginam, a adoção não é o primeiro caminho para crianças e
adolescentes que passam por serviços de acolhimento. Antes de qualquer
encaminhamento para uma família substituta, a legislação brasileira estabelece
que sejam esgotadas todas as possibilidades de fortalecimento da família de
origem, garantindo o direito à convivência familiar e comunitária. Nesse
contexto, a reintegração familiar é considerada uma das principais estratégias
de proteção à infância e à adolescência.
Prevista no Estatuto da
Criança e do Adolescente (ECA), a reintegração familiar consiste no retorno
seguro da criança ou do adolescente à família de origem após um período de
acolhimento, desde que tenham sido superadas as situações que motivaram o
afastamento. O processo envolve acompanhamento contínuo de equipes
multidisciplinares, além da atuação integrada da assistência social, do Sistema
de Justiça e de outros serviços da rede de proteção.
Para Juliana Miranda,
coordenadora do Serviço Família Acolhedora do Grupo Aconchego, ainda existe um
desconhecimento sobre a finalidade do acolhimento e sobre a prioridade dada à
reconstrução dos vínculos familiares. "O acolhimento nunca deve ser visto
como uma etapa que leva automaticamente à adoção. Ele é uma medida protetiva,
temporária e excepcional. Sempre que houver condições de garantir a segurança e
o desenvolvimento da criança, o objetivo é fortalecer a família para que ela
possa reassumir seu papel de cuidado", explica.
O trabalho de reintegração
começa logo após o acolhimento. As equipes técnicas elaboram um plano
individualizado para cada caso, identificando as vulnerabilidades que levaram
ao afastamento e acompanhando a família na busca por soluções. O atendimento
pode incluir orientação parental, acompanhamento psicológico, fortalecimento
dos vínculos familiares, encaminhamento para serviços públicos e acesso a
benefícios socioassistenciais.
Segundo Juliana, o processo
exige tempo e o envolvimento de diferentes profissionais para que o retorno
aconteça de forma segura e duradoura. "Não se trata apenas de devolver a
criança para casa. É um trabalho de reconstrução das relações familiares, de
fortalecimento das capacidades da família e de garantia de que aquele ambiente
possa oferecer proteção, cuidado e desenvolvimento", afirma.
Outro aliado nesse processo
é o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos (SCFV), espaço
destinado ao fortalecimento dos vínculos familiares por meio de atividades,
atendimentos e encontros acompanhados por profissionais. O local permite que
pais, responsáveis, crianças e adolescentes reconstruam gradualmente a
confiança e o convívio, contribuindo para uma reintegração mais segura e
humanizada.
Embora seja a prioridade
prevista pelas políticas públicas, a reintegração familiar nem sempre é
possível. Em situações nas quais permanecem riscos à integridade física ou
emocional da criança, ou quando a família não consegue restabelecer as
condições necessárias para o cuidado, outras medidas de proteção podem ser
adotadas, incluindo a colocação em família substituta por meio da adoção.
Sobre o Grupo Aconchego
O
Aconchego é uma organização da sociedade civil, sem fins lucrativos, fundada em
dezembro de 1997, que trabalha em prol da convivência familiar e comunitária de
crianças e adolescentes em acolhimento familiar e institucional.
Filiado à Associação Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção – ANGAAD o Aconchego é reconhecido como referência em Brasília e conta com grande projeção nacional na criação de tecnologias sociais com vistas à garantia do direito das crianças e adolescentes à convivência familiar e comunitária, por meio de ações de intervenção com potencial para a transformação social e cultural.
Com informações da
assessoria de imprensa
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