Praça do Papa vira templo do rock e reúne gerações em noite para entrar na história
Vitória (ES) - Pouco após o
sol se despedir da Baía de Vitória, no Espírito Santo, o ronco dos motores já
anunciava que aquela não seria uma quinta-feira qualquer. As primeiras
motocicletas surgiam em comboio pelas avenidas da capital, guitarras ganhavam
vida entre os equipamentos do palco e milhares de pessoas ocupavam cada espaço
da Praça do Papa, transformando um dos cartões-postais mais emblemáticos da
cidade em um grande encontro de música, memória e celebração.
Na noite desta quinta-feira
(16), a Prefeitura de Vitória, por meio da Secretaria de Cultura (Semc),
celebrou o Dia Mundial do Rock com uma programação gratuita que reuniu a
histórica banda escocesa Nazareth, o rock genuinamente capixaba da Lordose pra
Leão, exposição de carros antigos, Giro do Vinil, praça de alimentação,
motoclubes e um público que cantou cada clássico como se o tempo tivesse parado
por algumas horas.
Não era apenas um show. Era
uma cidade inteira afinada na mesma frequência. A abertura ficou por conta da
banda Lordose pra Leão, que emocionou o público ao revisitar o espírito do
lendário Festival Dia D, reacendendo uma memória afetiva do rock produzido no
Espírito Santo.
Depois, foi a vez do Nazareth.
Bastaram os primeiros acordes para que milhares de vozes transformassem a Praça
do Papa em um imenso coral a céu aberto. Clássicos que atravessam gerações como
“Love Hurts”, “Hair of the Dog”, “Dream On” e “Razamanaz” fizeram com que
jovens, adultos e veteranos dividissem o mesmo entusiasmo, embalados por
guitarras marcantes, refrões eternos e uma atmosfera difícil de traduzir em
palavras.
Entre luzes, celulares
erguidos e braços apontando para o céu, o rock mostrou, mais uma vez, sua
capacidade de unir pessoas que talvez nunca tenham se encontrado, mas que
pareciam cantar a mesma história.
A prefeita de Vitória, Cris
Samorini, destacou que a noite simbolizou exatamente o papel da cultura na
construção da cidade. "Ver a Praça do Papa completamente tomada por
famílias, jovens, visitantes, motociclistas e apaixonados pela música confirma
que investir em cultura é investir nas pessoas. Vitória viveu uma noite
inesquecível, em que um espaço público se transformou em palco de encontros,
emoções e pertencimento. É esse tipo de experiência que fortalece nossa
identidade e movimenta toda a cidade."
Para o secretário municipal de
Cultura, Edu Henning, o evento mostrou que grandes atrações internacionais
podem dialogar naturalmente com a produção artística local. "Foi
emocionante ver uma banda que marcou a história do rock mundial dividindo a
mesma noite com um dos maiores símbolos da música capixaba. A cultura acontece
quando diferentes gerações compartilham experiências, e foi exatamente isso que
a Praça do Papa viveu: uma celebração da música, da memória e da ocupação dos
espaços públicos."
Muito além do palco
Quem chegou cedo encontrou uma
programação que transformou o evento em uma verdadeira experiência cultural.
Enquanto alguns procuravam discos raros no Giro do Vinil, outros percorriam a
exposição de carros antigos, admirando modelos que atravessaram décadas. Os
food trucks permaneceram movimentados durante toda a noite, atendendo um
público que preferiu permanecer na Praça antes, durante e depois das
apresentações.
Os motoclubes também deram um
espetáculo à parte. O grande comboio, com centenas de motos, que saiu da sede
da Prefeitura de Vitória, por volta das 18h30, acompanhado pela Guarda Civil
Municipal, percorreu as avenidas da capital até chegar à Praça do Papa sob
aplausos de quem já aguardava o início dos shows.
Entre milhares de pessoas
presentes, havia quem tivesse cruzado centenas de quilômetros para viver aquele
momento. Foi o caso do técnico em manutenção Carlos Henrique Silva, de Belo
Horizonte (MG), que aproveitou férias no Espírito Santo ao descobrir que
Vitória receberia uma das poucas apresentações brasileiras da turnê.
"Eu acompanho o Nazareth
desde adolescente. Quando vi que o show seria gratuito, comprei a passagem na
mesma semana. Valeu cada quilômetro. Foi emocionante cantar essas músicas
olhando para o mar."
A auxiliar administrativo
Fernanda Souza, moradora de Vila Velha, foi com o marido. "Vim pensando só
no show e acabei encontrando muito mais. Passeei pela exposição de carros,
pelas bancas do Vinil, jantei aqui mesmo e depois cantei muito junto! Foi uma
noite completa."
Já o motociclista Eduardo
Soares, integrante de um motoclube da Grande Vitória, participou do comboio que
saiu da Prefeitura. "A saída já foi emocionante. Passar pelas avenidas com
tanta gente acenando e depois chegar à Praça do Papa daquele jeito foi
inesquecível. Parecia que o próprio caminho já fazia parte do espetáculo."
Uma noite que ficará na
memória
Mais do que celebrar o Dia Mundial do Rock, Vitória viveu uma noite em que a música ocupou a cidade de forma plena. Cada riff ecoou sobre a baía, cada coro atravessou gerações e cada aplauso reforçou que grandes espetáculos também podem ser grandes encontros.
Quando as últimas luzes do palco se apagaram, ficou a sensação de que o
silêncio demoraria a voltar. Afinal, algumas noites terminam apenas no relógio.
Outras continuam ressoando na memória como um bom solo de guitarra que insiste
em tocar muito depois do último acorde.
Com
informações da assessoria de imprensa
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