Pix Pensão: advogado explica como vai funcionar a nova regra aprovada pelo Senado
Projeto cria mecanismo para
tornar automático o pagamento da pensão alimentícia, mediante decisão judicial,
e busca reduzir a inadimplência no país
A dificuldade para receber a
pensão alimentícia pode estar mais perto de uma solução. O Senado Federal
aprovou o projeto de lei que cria o chamado Pix Pensão, mecanismo que permitirá
o débito automático da pensão diretamente da conta do devedor para a conta do
beneficiário, desde que haja determinação judicial. A proposta segue agora para
sanção presidencial e, se entrar em vigor, poderá mudar a forma como as
decisões judiciais são cumpridas em todo o país.
A iniciativa busca dar mais
efetividade ao pagamento da pensão alimentícia e reduzir a inadimplência, um
problema que afeta milhares de famílias brasileiras. Pela proposta, o
beneficiário poderá solicitar ao juiz que o pagamento seja realizado
automaticamente todos os meses. Caso não haja saldo suficiente na conta do
devedor, a Justiça poderá adotar medidas para localizar e bloquear ativos
financeiros, sempre dentro dos limites previstos na legislação.
Para o advogado especialista
em Direito de Família, Éder Araujo, a proposta representa um avanço por
utilizar a tecnologia para garantir maior efetividade às decisões judiciais.
"Na prática, o Pix
Pensão permitirá que, após uma decisão judicial, o pagamento da pensão seja
debitado automaticamente da conta do devedor todos os meses. Isso evita que o
responsável pelo recebimento tenha que recorrer ao Judiciário a cada atraso e
torna o cumprimento da obrigação muito mais eficiente", explica Éder.
O especialista ressalta que o novo mecanismo não elimina a análise da Justiça
nem autoriza descontos automáticos sem autorização judicial.
"É importante
esclarecer que não haverá retirada de dinheiro da conta do devedor sem uma
decisão do juiz. O magistrado continuará analisando cada caso e somente depois
poderá determinar a utilização desse mecanismo. Todos os direitos de defesa
permanecem preservados", esclarece o advogado.
Segundo Éder, uma das maiores vantagens da proposta é ampliar a efetividade da
cobrança nos casos em que o devedor não possui vínculo empregatício formal.
"Hoje, quando o devedor tem salário registrado, o desconto em folha
costuma funcionar. O desafio aparece quando ele trabalha como autônomo ou
recebe renda por outras fontes. O Pix Pensão utiliza a tecnologia para tornar a
execução mais rápida e fazer com que a decisão judicial produza efeitos na
prática", destaca.
Para o especialista, o maior beneficiado com a medida será quem depende
diretamente da pensão para sobreviver.
"A pensão alimentícia
não é um benefício para o responsável legal, mas um direito da criança e do
adolescente. Quando esse pagamento atrasa, faltam recursos para alimentação,
saúde, educação e outras necessidades básicas. O objetivo da proposta é
garantir que esse direito seja cumprido de forma contínua e eficaz",
conclui Araujo.
O projeto segue para sanção
presidencial. Se for transformado em lei, a expectativa é que o novo mecanismo
reduza a inadimplência, diminua a burocracia nas execuções de alimentos e
fortaleça a proteção dos direitos de milhares de crianças e adolescentes em
todo o país.
Com
informações da assessoria de imprensa



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