Envelhecer não significa perder a visão. Especialista explica quando a Catarata deve ser tratada
A catarata, principal causa
de perda visual reversível em idosos, faz parte do processo natural de
envelhecimento do cristalino. Apesar disso, a redução da visão provocada pela
doença pode ser revertida por meio de cirurgia, permitindo que muitos pacientes
retomem atividades que haviam deixado de realizar.
Segundo o médico
oftalmologista Francisco Lima (foto), especialista em catarata e glaucoma, um dos
maiores equívocos ainda observados no consultório é acreditar que a piora da
visão faz parte da idade e, por isso, não merece investigação.
“Envelhecer é natural.
Perder a visão por uma doença tratável não deve ser encarado como algo
inevitável. Sempre que houver alteração persistente da qualidade da visão, o
paciente deve procurar avaliação oftalmológica. Quanto mais cedo entendemos o
que está acontecendo, melhores são as condições para indicar o tratamento no
momento mais adequado.”
Entre os primeiros sinais da
catarata estão visão embaçada, aumento da sensibilidade à luz, dificuldade para
dirigir durante a noite, necessidade frequente de trocar os óculos, redução da
nitidez das cores e sensação de que tudo parece menos iluminado.
Existe ainda um sintoma
pouco conhecido. Algumas pessoas voltam temporariamente a enxergar de perto sem
os óculos de leitura, fenômeno popularmente conhecido como “segunda visão”.
Apesar de parecer uma melhora, essa alteração também pode indicar a evolução da
catarata.
O mito da catarata “madura”
Durante décadas, muitos
pacientes ouviram que era necessário esperar a catarata “amadurecer” antes da
cirurgia. Segundo Francisco Lima, essa orientação pertence ao passado.
“Hoje não esperamos a
catarata ficar avançada. O momento ideal para operar é quando ela começa a
comprometer a autonomia, a segurança ou a qualidade de vida do paciente. Quanto
mais endurecido o cristalino se torna, maior pode ser a complexidade técnica do
procedimento.”
A decisão cirúrgica, explica
o especialista, é individualizada e leva em consideração muito mais do que o
grau da catarata. O impacto na rotina, nas atividades profissionais, na
leitura, na direção de veículos, no lazer e na independência do paciente também
faz parte dessa avaliação.
A
cirurgia evoluiu muito
A cirurgia de catarata
passou por uma transformação significativa nas últimas décadas e hoje figura
entre os procedimentos mais seguros e realizados da medicina.
O procedimento é feito por
meio de microincisões, geralmente sem necessidade de pontos, sob anestesia
local e com duração aproximada de dez minutos. Na maioria dos casos, o paciente
recebe alta no mesmo dia e percebe melhora importante da visão nas primeiras 24
a 48 horas.
Segundo Francisco Lima,
porém, a cirurgia atual vai muito além da simples retirada da catarata.
“Hoje buscamos oferecer uma
reabilitação visual personalizada. Além de substituir o cristalino opacificado,
a cirurgia permite corrigir diferentes graus de miopia, hipermetropia,
astigmatismo e, em muitos pacientes, reduzir significativamente a dependência
dos óculos. O planejamento é individualizado para atender às necessidades e ao
estilo de vida de cada pessoa.”
Muito além da visão
As limitações provocadas
pela catarata costumam surgir de forma lenta e progressiva. Muitos pacientes
deixam de dirigir à noite, aumentam a iluminação da casa para conseguir ler,
passam a evitar atividades que exigem boa visão ou trocam os óculos repetidas
vezes sem perceber que o problema não está mais na graduação das lentes.
Com a evolução da doença,
tarefas simples como reconhecer rostos à distância, utilizar o celular,
identificar medicamentos, cozinhar ou caminhar em locais pouco iluminados
tornam-se cada vez mais difíceis.
Essa perda gradual da
autonomia também aumenta o risco de quedas, fraturas, isolamento social e
redução da independência, especialmente entre idosos.
Hábitos
que ajudam a preservar a saúde ocular
Embora a catarata
relacionada ao envelhecimento não possa ser completamente evitada, alguns
hábitos contribuem para retardar seu aparecimento e preservar a saúde dos
olhos.
Entre eles estão o uso de
óculos com proteção contra os raios ultravioleta, alimentação equilibrada rica
em antioxidantes, abandono do tabagismo e controle adequado do diabetes.
Francisco Lima ressalta
ainda que as consultas oftalmológicas periódicas assumem papel cada vez mais
importante a partir dos 40 anos. Além de permitir o acompanhamento da catarata,
os exames possibilitam identificar precocemente doenças silenciosas, como
glaucoma e degeneração macular relacionada à idade, antes que provoquem danos
irreversíveis à visão.
“As pessoas estão vivendo cada vez mais. O objetivo não é apenas aumentar a expectativa de vida, mas preservar a qualidade da visão durante esse tempo. Em muitos casos, isso depende apenas de não aceitar a perda visual como uma consequência natural da idade e procurar avaliação no momento certo.” FOTO: Oftalmologista Francisco Lima - crédito Higor Braga
Com
informações da assessoria de imprensa

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