Dia Mundial do Chocolate: alto teor de cacau nem sempre significa produto mais saudável

 

Professora do CEUB alerta para açúcar, gorduras e aditivos escondidos nos rótulos e explica como escolher melhor o chocolate

O percentual de cacau estampado nas embalagens pode levar o consumidor a uma conclusão precipitada: a de que quanto maior o número, mais saudável é o produto. No dia Mundial do Chocolate, comemorado nesta terça-feira (7), a professora de Nutrição do Centro Universitário de Brasília (CEUB), Pollyana Ayub, alerta que essa relação não é automática e que açúcar, tipo de gordura e grau de processamento também precisam ser considerados.

“Um percentual maior de cacau pode indicar maior presença de compostos bioativos, mas não transforma automaticamente o produto em uma opção saudável. É preciso avaliar a composição como um todo, porque o chocolate ainda pode conter excesso de açúcar, gorduras de baixa qualidade e diversos aditivos”, explica.

A orientação é especialmente importante diante da variedade de produtos disponíveis no mercado, entre chocolates ao leite, brancos, amargos, diet, light, zero açúcar e itens vendidos como “sabor chocolate”. Segundo a professora do CEUB, algumas formulações apresentam baixo teor de cacau e maior presença de açúcar, gordura vegetal, aromatizantes, emulsificantes e outros ingredientes típicos de produtos ultraprocessados.

“Quando a lista de ingredientes é extensa e reúne substâncias pouco utilizadas em preparações domésticas, o consumidor deve redobrar a atenção. Muitas vezes, o apelo ao chocolate está mais relacionado ao sabor e ao marketing do que à presença significativa de cacau”, afirma Pollyana.

“70% cacau” não é passe livre

Os chocolates amargos e com maior concentração de cacau costumam ser associados a benefícios à saúde por apresentarem compostos fenólicos e flavonoides, estudados por sua ação antioxidante e possíveis efeitos positivos sobre o sistema cardiovascular. Mas, segundo a professora do CEUB, até mesmo esses produtos devem ser consumidos com moderação.

“O consumidor pode enxergar ‘70% cacau’ na embalagem e entender que aquele alimento está liberado. Não está. O chocolate amargo continua sendo um alimento calórico, e a quantidade consumida faz diferença”, destaca.

A recomendação é observar não apenas a frente da embalagem, mas principalmente a lista de ingredientes e a tabela nutricional. Produtos com listas mais curtas e ingredientes reconhecíveis tendem a ser escolhas mais interessantes. A rotulagem nutricional frontal também ajuda a identificar altos teores de açúcar adicionado e gordura saturada.



Diet, light e zero açúcar podem confundir

Outro erro comum é considerar automaticamente mais saudáveis os chocolates identificados como diet, light ou zero açúcar. Pollyana explica que cada classificação tem um significado específico e não representa, necessariamente, menor quantidade de calorias ou melhor perfil nutricional.

Produtos light apresentam redução de pelo menos 25% em determinado nutriente ou valor energético em comparação com um alimento de referência. Já as versões diet são formuladas com restrição ou ausência de determinado nutriente, conforme a finalidade do produto.

“Um chocolate pode ter redução de um componente e, ao mesmo tempo, apresentar quantidades relevantes de outro. Por isso, nenhuma alegação isolada substitui a leitura completa do rótulo”, orienta.

Nas versões sem açúcar, também podem ser utilizados polióis, como sorbitol e xilitol. Embora tenham aplicações específicas, esses ingredientes não significam que o produto possa ser consumido sem limites.

Como escolher melhor?

Para quem não abre mão do chocolate, a especialista recomenda priorizar produtos com maior teor de cacau, menor quantidade de açúcar e listas de ingredientes mais simples. Uma porção pequena, em torno de 20 a 30 gramas, pode ser inserida em uma alimentação equilibrada, considerando as necessidades individuais.

“O chocolate não precisa ser tratado como vilão nem como alimento milagroso. A melhor escolha é aquela feita com informação e moderação. O consumidor deve desconfiar de soluções fáceis e olhar o produto como um todo”, conclui Pollyana Ayub.


Com informações da assessoria de imprensa

 



Comentários