Consumo das famílias encerra semestre em alta acumulada de 2,49%, aponta ABRAS
Abrasmercado: principais
pressões concentraram-se entre março e maio, com altas mensais próximas de 2,1%
Copa do Mundo movimenta
consumo de ocasião nos lares
O Consumo nos Lares
Brasileiros encerrou o primeiro semestre com alta acumulada de 2,49%, segundo o
monitoramento mensal da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS). Em
relação a junho de 2025, o indicador registrou alta de 1,86%. Na comparação com
maio, o consumo avançou 0,48%.
Os dados são deflacionados
pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e contemplam o
desempenho de todos os formatos de supermercados.
Depois de um início de ano
mais moderado, o consumo ganhou força entre março e maio, com altas de 3,20%,
3,17% e 3,93%, respectivamente, na comparação com os mesmos meses do ano
anterior.
“O semestre mostra a
resiliência do consumo nos lares. Mesmo com pressão concentrada em itens
importantes da cesta de abastecimento, a sustentação da renda pelo mercado de
trabalho e a circulação de recursos relevantes contribuíram para manter o
consumo positivo. A leitura do período aponta para um comportamento mais
planejado, com maior atenção às promoções, comparação de preços e seletividade
na composição da cesta”, analisa Marcio Milan.
Copa movimenta consumo de
ocasião nos lares
Embora junho tenha crescido em
ritmo mais moderado, semanas com jogos de maior mobilização da Copa do Mundo
estiveram associadas a um desempenho mais dinâmico em categorias de consumo de
ocasião. Esse comportamento, no entanto, deve ser lido em conjunto com o
momento do orçamento das famílias.
“A semana da estreia do Brasil
combinou dois fatores importantes: a mobilização em torno dos jogos e um
período ainda próximo ao recebimento de salários, quando parte dos consumidores
tende a ter maior disponibilidade de renda. Ao longo do mês, o movimento não
ocorreu de forma uniforme entre as categorias e variou conforme o calendário da
competição, a participação da Seleção Brasileira, as promoções e o orçamento
das famílias”, afirma Milan.
Na composição da Cesta Copa
2026, os maiores pesos vieram de cortes bovinos (17,2%), cervejas (13,1%),
cortes de frango (11,4%), embutidos de carne (10,9%) e refrigerantes (10,3%).
Juntas, essas cinco categorias
responderam por mais de 60% da cesta analisada no período. Também tiveram
participação relevante chocolates (8,0%) e salgadinhos para aperitivo (7,1%),
reforçando o papel dos itens de conveniência e de consumo associado aos
momentos de encontro em casa.
Na comparação com a Copa
anterior, houve mudança na hierarquia das categorias de maior contribuição. Em
2022, os destaques foram salgadinhos, cerveja e carnes in natura. Em 2026, a
carne in natura passou a aparecer como principal destaque, seguida por cerveja,
refrigerante, chocolate e salgadinhos.
Esse movimento indica que o
consumo de ocasião não ficou restrito a bebidas e petiscos. Também envolveu
itens ligados ao preparo de refeições e aos encontros nos lares.
Recursos reforçam renda no
fechamento do semestre
O orçamento das famílias
contou, no fechamento do semestre, com a circulação de recursos relevantes.
Entre maio e junho, a Receita Federal pagou cerca de R$ 32 bilhões nos dois
primeiros lotes de restituição do Imposto de Renda Pessoa Física 2026. Também
permaneceram em circulação os recursos da antecipação do 13º salário de
aposentados, pensionistas e beneficiários de auxílios do INSS, estimados em R$
78,2 bilhões, destinados a cerca de 35,2 milhões de beneficiários entre abril e
junho.
Em junho, programas de
transferência de renda e liberações previstas no calendário também contribuíram
para manter renda disponível. O Bolsa Família transferiu R$ 13,1 bilhões para
19 milhões de beneficiários; o quinto lote do PIS/PASEP movimentou cerca de R$
5,5 bilhões; e houve ainda a liberação de R$ 2,6 bilhões para o pagamento de
atrasados do INSS.
Ao longo de 2026, outro fator de sustentação da renda é o reajuste de 5,4% no piso salarial dos professores da educação básica pública, em vigor desde janeiro, cujo impacto estimado na economia é de R$ 6,4 bilhões.
Com informações da assessoria de imprensa



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