Congresso vê efeitos eleitorais opostos de decisões dos EUA sobre tarifaço e enquadramento de organizações terroristas

  

Pesquisa do Ranking dos Políticos mostra que tarifas de Trump dividem parlamentares, enquanto classificação de facções como terroristas é vista como trunfo para a oposição

Foto: Plenário da Câmara dos Deputados – Crédito: Agência Câmara

As duas principais decisões recentes dos Estados Unidos envolvendo o Brasil devem produzir efeitos distintos na corrida presidencial de 2026, na avaliação do Congresso Nacional. Enquanto o aumento das tarifas sobre produtos brasileiros divide deputados e senadores conforme o posicionamento ideológico, a decisão americana de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas é vista como um ativo eleitoral claro para o campo da oposição.

"O levantamento evidencia que a política externa deixa de ser apenas um tema diplomático e passa a ser lida sob a ótica eleitoral. Quando a pauta envolve comércio exterior e tarifas, o Congresso se divide entre as narrativas do governo e da oposição. Mas quando o foco é o combate ao crime organizado, essa divisão diminui significativamente e surge uma percepção majoritária de que a agenda da segurança continua sendo o principal patrimônio político da direita para 2026", destacou Juan Carlos Arruda, diretor-geral do Ranking dos Políticos.

Segundo a pesquisa, o tarifaço é percebido como um tema altamente polarizado. Na Câmara, 40% acreditam que beneficia mais Lula, enquanto 45,5% acreditam que beneficia mais Flávio Bolsonaro. No Senado, deu empate, 39,3% acreditam que beneficia mais Lula e 39,3 % acreditam que beneficia mais Flávio Bolsonaro. 

Parlamentares de esquerda tendem a avaliar que a medida fortalece politicamente o presidente Lula, enquanto os de direita enxergam potencial benefício para a oposição. Já o centro aparece dividido, funcionando como fiel da balança entre as duas interpretações. Na Câmara, o centro pesa mais para o lado de Flávio Bolsonaro na balança (48,4%). No Senado, o centro pesa mais para o lado de Lula na balança (35,7%).

O cenário muda completamente quando o assunto é segurança pública. A decisão dos Estados Unidos de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas é considerada um dos temas de maior potencial eleitoral para a oposição. Na Câmara, 73,6% dos deputados acreditam que a medida beneficia o senador Flávio Bolsonaro na disputa presidencial de 2026. No Senado, esse percentual sobe para 78,6%. 

Na análise do Ranking dos Políticos, nenhum dos assuntos pesquisados apresentou percepção tão concentrada em favor da oposição quanto a pauta da segurança pública, reforçando que esse continua sendo o principal ativo eleitoral da direita entre os temas avaliados pelo Congresso. Um dado interessante é que tanto na Câmara (11,5%) quanto no Senado (28,6%), a própria esquerda votou que essa decisão tende a beneficiar mais o senador Flávio Bolsonaro. 

Os dados são de pesquisa inédita do Ranking dos Políticos, realizada entre os dias 1º e 10 de julho com 112 deputados federais de 16 diferentes partidos e 28 senadores de 11 partidos, respeitando o critério da proporcionalidade partidária, entre integrantes da base governista, da oposição e independentes, respeitando a proporcionalidade das bancadas. A margem de erro é de 6,5 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

 

Com informações da assessoria de imprensa


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