Estudo mostra que Congresso mantém perfil intervencionista e aprova mais propostas contrárias à liberdade econômica
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O Índice Legislativo de
Liberdade Econômica 2025, do Ranking dos Políticos, analisou 1.650 proposições
legislativas e concluiu que 86,7% das proposições que afetam a Liberdade
Econômica a restringem; medidas provisórias e projetos ligados ao gasto estatal
concentram maior impacto
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Foto: Estudo do Ranking dos Políticos analisou 1.650
propostas legislativas | Ranking dos Políticos
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Mais da metade das
proposições legislativas apresentadas ou em tramitação no Congresso Nacional em
2025 restringiu a liberdade econômica em pelo menos uma dimensão analisada. É o
que revela o novo Índice Legislativo de Liberdade Econômica 2025, elaborado
pelo Ranking dos Políticos em parceria com o Centro Mackenzie de Liberdade
Econômica e com o Fé & Trabalho. Foram avaliados 1.650 projetos de lei,
propostas legislativas e medidas provisórias sob critérios inspirados na
metodologia internacional do Fraser Institute.
Segundo o estudo, 86,7% das
proposições analisadas que afetam a liberdade econômica apresentam impacto
negativo sobre ela, enquanto 10,7% foram classificadas como ampliadoras da
liberdade e 2,6% como proposições mistas. A proporção de quase oito propostas
restritivas para cada iniciativa liberalizante demonstra que o Congresso
Nacional tem atuado majoritariamente no sentido de ampliar regulações, criar
barreiras e expandir a intervenção estatal na economia.
“O resultado reforça a
percepção de que medidas voltadas à ampliação da liberdade econômica permanecem
minoritárias no debate legislativo, independentemente do espectro político ou
partidário dos autores das proposições”, demonstrou o estudo.
Os resultados encontrados
apresentam números semelhantes à pesquisa realizada em 2018 pelo Centro
Mackenzie de Liberdade Econômica, sugerindo que o intervencionismo legislativo
permanece uma característica estrutural da produção normativa brasileira.
Segundo o responsável
técnico do estudo e analista de políticas públicas do Ranking dos Políticos,
Daniel Galvêas, os dados revelam que o padrão intervencionista atravessa
diferentes partidos e correntes ideológicas no Congresso Nacional. "O
estudo evidencia a importância do debate sobre liberdade econômica. Grande
parte das propostas analisadas cria benefícios para grupos específicos, mas
transfere os custos para todos os brasileiros. Quando analisamos objetivamente
a produção legislativa, fica claro que a defesa de privilégios setoriais ainda
supera a promoção de um ambiente econômico mais livre e competitivo",
declarou.
A pesquisa utilizou
inteligência artificial para classificar os projetos em cinco dimensões:
tamanho do governo, sistema legal e direitos de propriedade, moeda sólida,
comércio internacional e regulação. Em seguida, os resultados passaram por
rodadas de validação humana e reavaliação das proposições para garantir
consistência metodológica.
Entre os principais achados,
o levantamento mostra que as dimensões ligadas ao aumento do tamanho do Estado
e à criação de novas regulações concentram praticamente todas as interferências
negativas identificadas. Foram registradas 494 proposições com impacto negativo
na dimensão "Tamanho do Governo" e 510 na dimensão
"Regulação".
Outro dado que chamou
atenção dos pesquisadores foi o desempenho das medidas provisórias,
consideradas o instrumento legislativo mais intervencionista do período. Das 37
MPs analisadas, 86,5% restringiam a liberdade econômica em pelo menos uma
dimensão avaliada.
A análise também identificou
que 95,1% das proposições que afetam o setor industrial apresentaram algum grau
de restrição à liberdade econômica, enquanto para o setor agropecuário esse
número é de 62,7%. Os autores ressaltam que o alerta de economistas e
especialistas permanece necessário no ano de 2025: a baixa produtividade da
indústria nacional tem sua origem no excesso de intervencionismo.
O
intervencionismo atravessa espectros ideológicos
Um dos pontos centrais do
estudo é a constatação de que o intervencionismo legislativo aparece em
praticamente todo o espectro político. Ao analisar partidos com pelo menos 15
proposições na amostra, o levantamento concluiu que apenas o partido Novo
apresentou saldo líquido favorável à ampliação da liberdade econômica.
O chamado Índice de Intervencionismo
Líquido, criado pelos pesquisadores para medir a diferença entre projetos
intervencionistas e liberalizantes, mostrou o Partido Novo como o único com
score liberalizante, com 15 pontos a favor da liberdade econômica, indicando
que suas proposições ampliadoras da liberdade econômica superaram as
restritivas. Todos os demais partidos registraram saldo positivo de
intervencionismo.
A pesquisa destaca ainda que
legendas frequentemente associadas ao discurso liberal ou de centro-direita
apresentaram índices relevantes de intervenção econômica, evidenciando uma
distância entre o posicionamento político declarado e a produção legislativa
efetiva, como o Republicanos, com 58,9%; o Partido Progressista (PP), com
48,2%; e o Partido Liberal (PL), com 44,5%.
Custos ocultos e
beneficiários reais
O estudo também introduziu
uma metodologia inédita para comparar quem os autores dos projetos afirmam
beneficiar e quem efetivamente é impactado pelas medidas.
Segundo os pesquisadores,
51,8% das proposições analisadas apresentam diferença entre o grupo que os
autores dizem beneficiar e quem realmente é favorecido pelos efeitos práticos
da medida. Na avaliação do estudo, isso indica que muitas propostas são
apresentadas como vantajosas para toda a sociedade, mas acabam gerando
benefícios concentrados em setores ou grupos específicos, enquanto os custos
são distribuídos de forma ampla entre contribuintes, consumidores ou
empresas.
"O dado mais
preocupante talvez seja essa divergência entre os beneficiários anunciados e os
beneficiários efetivos das proposições. Isso reforça a importância de análises
técnicas capazes de revelar custos ocultos e impactos que muitas vezes não
aparecem no discurso político", destacou Luan Sperandio, diretor de
operações do Ranking dos Políticos e que também atuou no levantamento.
Além disso, proposições que
criam despesas públicas mostraram forte correlação com restrições à liberdade
econômica. Entre os projetos que geram gasto público, 93,7% foram classificados
como intervencionistas.
Congresso aprova mais
projetos restritivos do que liberalizantes
O levantamento analisou
ainda as matérias efetivamente aprovadas em 2025. Entre as 128 proposições que
avançaram até a aprovação, 50,8% apresentaram efeito líquido negativo sobre a
liberdade econômica, enquanto apenas 5,5% tiveram efeito positivo.
Para os autores, os dados
indicam que o processo legislativo brasileiro atua como um suave filtro contra
as propostas mais intervencionistas (de 53,8% para 50,8%) e as liberalizantes
(de 6,6% para 5,5%), mas o saldo final permanece esmagadoramente
intervencionista.
Com
informações da assessoria de imprensa



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