Canetas emagrecedoras causam pedra na vesícula? Médico explica o que realmente aumenta o risco
![]() |
Especialista do Hospital
Mater Dei Goiânia detalha o que acontece no organismo durante a perda acelerada
de peso e quais sinais merecem atenção
Goiânia (GO) - O uso
crescente de medicamentos injetáveis para tratamento da obesidade — as chamadas
canetas emagrecedoras — tem levado especialistas do Hospital Mater Dei Goiânia
a reforçar a necessidade de acompanhamento médico.
De acordo com o cirurgião
bariátrico Dr. Fábio Faleiro, o risco não está na medicação em si, mas na
velocidade da perda de peso. “Está na perda de peso acentuada em um curto
espaço de tempo”, explica.
Estudos mostram que em
cirurgias bariátricas cerca de 30% dos pacientes desenvolvem cálculos biliares
devido à rápida redução de peso. Na prática, qualquer método que promova
emagrecimento acelerado pode levar à mesma complicação.
Por que emagrecer muito
rápido favorece pedras na vesícula
Especialistas apontam que o
emagrecimento rápido faz o fígado liberar grande quantidade de colesterol na
bile. Com a bile mais saturada, surgem cristais que podem virar pequenas
pedras.
Esse mecanismo já era
observado após dietas muito restritivas e cirurgias bariátricas. O Dr. Fábio
Faleiro explica que, durante o emagrecimento acelerado, ocorre “uma sobrecarga
de sais biliares na vesícula biliar” que provoca a formação de “microcálculos e
cálculos”.
O especialista enfatiza que
o mesmo processo se aplica aos pacientes que fazem cirurgia bariátrica: “Para o
paciente que faz bariátrica acontece um processo idêntico, o mecanismo
fisiopatológico é exatamente o mesmo.” Assim, seja por cirurgia ou por caneta,
o fio condutor é a perda de peso muito rápida.
Sinais de alerta e
acompanhamento médico
Os sintomas típicos de
cálculo na vesícula incluem dor em cólica no abdome superior direito, náuseas,
vômitos e má digestão após refeições gordurosas. O Dr. Fábio Faleiro (foto) relata que
muitos pacientes percebem “dor abdominal em cólica, náuseas e vômitos, sensação
de má digestão, especialmente após consumir alimentos ricos em gordura”.
No entanto, ele lembra que
“uma grande parte dos casos é assintomática”, sendo descoberta apenas em exames
de rotina. Por isso, o médico destaca que é fundamental acompanhar o tratamento
com exames periódicos.
Não existem medidas
específicas capazes de prevenir totalmente o risco de cálculos nesse contexto.
Até hoje, o único recurso farmacológico é o ácido ursodesoxicólico, mas sem
comprovação científica robusta para uso regular.
“Existe um medicamento
chamado ácido ursodesoxicólico que pode ter algum benefício, mas não há nível
de evidência robusto na literatura médica para recomendar seu uso rotineiro”,
observa Faleiro.
Em vez disso, ele indica
vigilância ativa. “A busca ativa através de ultrassonografias seriadas é a
conduta mais indicada” durante o emagrecimento acelerado, seja com caneta ou
cirurgia. Esse procedimento busca identificar qualquer formação de cálculos antes
que cause complicações mais graves, como inflamação da vesícula ou pancreatite.
O especialista do Hospital
Mater Dei Goiânia também alerta para a importância de definir o melhor
tratamento para cada caso. “As medicações hoje são muito eficazes, porém para
pacientes com necessidade de perdas muito elevadas de peso (IMC maior que 40),
a cirurgia bariátrica é cinco vezes mais eficaz e mais barata quando comparada
ao tratamento medicamentoso.” Essa constatação alinha-se a estudos de
sociedades médicas brasileiras, que defendem a cirurgia como método definitivo
nos casos de obesidade grave.
Por fim, o cirurgião resume
a mensagem principal: a pedra na vesícula é causada pela perda de peso
acentuada, e não pela caneta em si. Como salienta Faleiro, “o que causa a pedra
na vesícula é a perda acentuada de peso (independente do método)”.
O cuidado mais importante,
portanto, é sempre realizar o tratamento da obesidade sob orientação e
acompanhamento de um médico especialista, garantindo uma perda de peso segura e
monitorada.
Com
informações da assessoria de imprensa




Comentários
Postar um comentário