Governo do Brasil e BNDES lançam podcast sobre o Novo Acordo do Rio Doce
Com a participação de
atingidos, técnicos e autoridades, áudio série busca informar, dar
transparência e aproximar a população das ações de reparação para o rompimento
da barragem de Fundão. Oito episódios abordarão temas como participação social,
renda, saúde, assistência social, assessorias técnicas, transparência e
monitoramento
O Governo do Brasil e o Banco
Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançaram nesta
sexta-feira (22/05) o podcast Horizontes do Rio Doce. A produção detalha
como funciona o Novo Acordo firmado no fim de 2024 para reparar os danos
decorrentes do rompimento da barragem de Fundão e que impactou toda a Bacia do
Rio Doce, em Minas Gerais e no Espírito Santo. O primeiro dos oito episódios já
está no ar e pode ser acessado nas plataformas Spotify e Deezer.
Ele apresenta os objetivos do Novo Acordo e sua governança, demarcando as
diferenças em relação ao modelo anterior de reparação que vinha sendo
praticado.
O podcast busca ampliar o
conhecimento sobre os novos rumos do processo reparatório entre as populações
dos territórios atingidos, bem como dar transparência à condução das ações e
aos resultados obtidos. O conteúdo também contribui para disseminar informações
entre formuladores de políticas públicas nos municípios envolvidos,
profissionais da área socioambiental, pesquisadores de universidades,
jornalistas, entre outros públicos.
O lançamento do podcast
ocorreu em Governador Valadares (MG), durante evento conduzido pela
Secretaria-Geral da Presidência da República com a participação do ministro da
pasta, Guilherme Boulos. Na ocasião, também foram lançados dois mecanismos
de fomento para destinar R$ 450 milhões a iniciativas propostas pelas
comunidades atingidas: uma chamada
pública voltada a projetos estruturantes que podem custar até R$ 23
milhões está sob responsabilidade do BNDES e um edital para
projetos de até R$ 400 mil está sendo conduzido pela Fundação Banco do Brasil.
O rompimento da barragem, que
integrava um complexo da mineradora Samarco em Mariana (MG), aconteceu em
novembro de 2015. No episódio, os rejeitos de mineração escoaram pela Bacia do
Rio Doce e alcançaram o mar, gerando uma série de danos em Minas Gerais e no
Espírito Santo. Assinado em 2024, o Novo Acordo do Rio Doce foi desenhado para
trazer soluções definitivas para as populações atingidas, superando as
dificuldades enfrentadas no modelo de reparação anterior. Ele prevê um conjunto
de projetos que englobam ações em 38 municípios mineiros e 11 capixabas.
Nova Governança
A
Fundação Renova, organização de direito privada que havia sido criada para
executar as ações reparatórias no modelo anterior, foi extinta. A nova
governança deu maior protagonismo ao poder público e às comunidades atingidas.
A Samarco e suas acionistas Vale e BHP Billiton deverão desembolsar R$ 100
bilhões ao longo de 20 anos. São recursos novos, dos quais R$ 49,1 bilhões
envolvem ações que ficaram sob a responsabilidade da União e devem ser
aportados no Fundo Rio Doce, que é gerido pelo BNDES.
"Estamos construindo um
acervo de áudio confiável em formato de podcast, que vai trazer informações
relevantes sobre o processo de reparação. E simultaneamente estamos prestando
contas para as comunidades sobre o que está sendo feito. O Fundo Rio Doce
entrou em operação em junho do ano passado e o balanço até aqui é bastante
positivo. As liberações já representam cerca de R$ 2,2 bilhões. A efetiva reparação
para os atingidos é um compromisso do governo do presidente Lula e a
experiência do BNDES na operação de fundos não reembolsáveis contribui para que
os repasses demandados ocorram de forma célere e transparente", destacou o
presidente do BNDES, Aloizio Mercadante.
Segundo Petula Ponciano,
secretária adjunta da Secretaria de Articulação e Monitoramento da Casa Civil
da Presidência da República, o Novo Acordo do Rio Doce tem entre seus pilares a
transparência e o compromisso de garantir que a informação chegue de forma
clara, acessível e qualificada à população, especialmente às pessoas atingidas.
“Sabemos que a reparação não se faz apenas com recursos, obras e programas. Ela
também exige diálogo, escuta e acesso à informação. É nesse contexto que nasce este
podcast, fruto de uma parceria entre o BNDES e Governo do Brasil. Mais do que
um canal de comunicação, ele é uma ferramenta para fortalecer a transparência,
ampliar o acesso à informação e dar visibilidade às vozes, aos desafios e às
conquistas dos territórios. Queremos que as pessoas acompanhem de forma cada
vez mais próxima a implementação do Novo Acordo e que a informação circule de
maneira simples, confiável e conectada à realidade de quem vive e constrói
diariamente a reparação na Bacia do Rio Doce”, afirmou.
“O ouvinte do podcast
terá um conjunto de informações para aumentar a compreensão do processo de
reparação e poderá ter uma ideia geral da governança do Novo Acordo”, explicou
o gerente de Jornalismo do BNDES, Daniel Sincorá. "Embora a Samarco, os
governos estaduais e outros atores também tenham suas atribuições, o podcast
apresenta de forma detalhada as ações de responsabilidade da União custeadas
através do Fundo, gerido pelo BNDES", completou.
Leonardo Rodrigues, jornalista
do BNDES e produtor do projeto, explicou que o podcast busca apresentar
diferentes pontos de vista, ouvindo não apenas autoridades e gestores, mas
também lideranças locais, atingidos e técnicos envolvidos na execução dos
projetos. “Além disso, a organização temática permite que o ouvinte compreenda
um episódio mesmo sem ter ouvido os anteriores”, explicou.
Os outros sete episódios
do podcast Horizontes do Rio Doce serão lançados sobre os seguintes
temas: participação social, Programa de Transferência de Renda (PTR), saúde e
assistência às comunidades, assistência social, assessorias técnicas
independentes (ATIs), voz dos territórios e transparência e monitoramento.



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