Epidemia silenciosa: Brasil projeta salto na obesidade e acende alerta para a saúde dos jovens
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Goiânia (GO) - Dados do
recém-lançado Atlas Mundial da Obesidade 2025 revelam que o Brasil vive uma
verdadeira epidemia: atualmente, 31% dos brasileiros adultos sofrem com
obesidade, e a projeção para os próximos anos é de crescimento contínuo. Se o
ritmo atual for mantido, estima-se que, até 2030, o número de mulheres com
obesidade possa crescer 46,2%, enquanto entre os homens o aumento previsto é de
33,4%.
Para a endocrinologista
Fernanda Loyola (foto), da Clínica Vittá, a obesidade não deve ser compreendida apenas
como uma "escolha individual", mas como uma doença crônica e
multifatorial. A especialista reforça que, embora a genética tenha um papel
importante na regulação da fome e do armazenamento de gordura, ela não é um
destino inevitável.
"A genética influencia a
suscetibilidade, mas o ambiente e o estilo de vida modulam a expressão desses
genes”, afirma a endocrinologista. Ela pontua que intervenções precoces,
especialmente em famílias com histórico da doença, são fundamentais para
modular a expressão desses genes por meio de hábitos saudáveis.
Entre as principais causas, estão o aumento no consumo de alimentos
ultraprocessados, que são ricos em açúcares, gorduras e sódio e pobres
nutricionalmente – como macarrão instantâneo, refrigerantes e biscoitos –, o
crescente tempo de tela e redução da atividade física no cotidiano, o que pode
contribuir para estresse crônico, ansiedade e distúrbios do sono.
Cenário crítico
O cenário atual mostra que 68%
da população brasileira apresenta excesso de peso – ou seja, sobrepeso ou obesidade.
O salto é alarmante quando comparado a dados históricos: em 2006, a prevalência
da obesidade era de 11,8%; em 2024, esse número chegou a 25,7%, indicando que
as estratégias de contenção atuais ainda não são suficientes para frear a
curva.
Um dos pontos mais críticos do
relatório é o avanço da doença entre os mais novos. Segundo a pesquisa Covitel,
em apenas um ano, de 2022 para 2023, o número de jovens na faixa etária dos 18
a 24 anos com obesidade saltou de 9% para 17,1%, um aumento impressionante de
90%. Hoje, quatro a cada dez jovens brasileiros estão acima do peso.
Políticas
públicas e combate à obesidade
Diante de um impacto econômico
severo para o sistema de saúde, de acordo com a endocrinologista, a solução
exige ações que vão além do consultório médico e ainda necessitam da
intervenção estatal.
Entre as possíveis medidas
sugeridas pela especialista e por órgãos de saúde, destaca-se a regulação de
ultraprocessados, que seria a taxação de bebidas açucaradas e rotulagem mais
clara nos alimentos.
Outra medida sugerida é com
relação ao estabelecimento de um ambiente educacional, o que na prática
significa a promoção de educação alimentar e a proibição de publicidade de
alimentos não saudáveis para crianças e adolescentes. Além disso, essa conscientização
também deve se fazer presente não apenas no ensino básico, mas também nas
universidades.
Outras ações compreendem a
infraestrutura urbana, com a criação de espaços seguros para a prática de
atividades físicas; e o acesso facilitado ao tratamento, com a ampliação do
suporte no SUS, incluindo acompanhamento psicológico, nutricional e, quando
necessário, medicamentoso ou cirúrgico, sem estigmatização.
“Jovens com excesso de peso precisam de acolhimento e orientação profissional,
não de julgamento”, conclui a endocrinologista Fernanda Loyola, ressaltando que
o combate ao estigma é o primeiro passo para um tratamento eficaz.
Serviço
Dia
Mundial da Obesidade
Quando: 4 de
março
Com
informações da assessoria de imprensa
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