Combate à economia ilegal e ao crime organizado mobiliza FPBC e setor produtivo em Brasília
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Brasília (DF) - A ampliação
do combate à economia ilegal e às organizações criminosas foi o tema central do
jantar promovido nesta terça-feira (10) pela Frente Parlamentar do Brasil
Competitivo (FPBC), em Brasília. O encontro reuniu parlamentares,
representantes da Receita Federal do Brasil e lideranças do setor produtivo
para discutir os impactos da criminalidade sobre a economia formal e o ambiente
de negócios no país.
O presidente da bancada,
deputado Julio Lopes (PP-RJ), afirmou que o Brasil precisa fortalecer a cultura
da legalidade para enfrentar o avanço de atividades ilegais que prejudicam
empresas, trabalhadores e consumidores.
“Nosso objetivo é convidar a
sociedade brasileira a valorizar a legalidade e a prosperidade construída
dentro da lei. Em um momento de tantas distorções e irregularidades na vida
pública, precisamos reafirmar o compromisso com um Brasil legal”, afirmou.
O jantar ocorreu após a
instalação, na Câmara dos Deputados, da comissão externa que acompanhará a
agenda do chamado “Brasil Legal” e as ações de combate à pirataria, ao
contrabando e ao comércio ilegal no país. O colegiado será coordenado por Lopes
e deverá realizar audiências públicas e solicitar informações a órgãos de
fiscalização e entidades do setor produtivo.
Segundo o parlamentar, a
iniciativa busca mobilizar instituições públicas e privadas no enfrentamento de
atividades ilegais que movimentam bilhões de reais por ano.
Fraudes
no setor de combustíveis
Lopes citou fraudes no setor
de combustíveis como exemplo do impacto econômico da ilegalidade. Estimativas
apresentadas pelo deputado apontam perdas anuais de cerca de R$ 62 bilhões. “O
cruzamento de dados e o uso de notas fiscais eletrônicas podem ampliar o
controle e combater fraudes. Cada recurso recuperado pode ser revertido para
segurança pública e desenvolvimento”, disse.
O deputado também defendeu maior
valorização da Receita Federal no combate ao crime organizado e destacou
operações que bloquearam bilhões de reais ligados a esquemas de fraude.
“Organizações criminosas operam em vários países e desafiam diretamente o
Estado. O impacto dessas redes sobre a economia e a segurança da população não
pode ser subestimado”, afirmou.
Contrabando
e falsificação de medicamentos
Outro ponto abordado pelo
parlamentar foi o contrabando e a falsificação de medicamentos, problema
classificado por ele como uma ameaça global, com consequências graves para
pacientes que dependem de tratamentos caros ou raros. “O Brasil precisa avançar
definitivamente na digitalização de processos públicos. Um Estado mais digital
significa mais transparência, mais controle e menos espaço para fraude”,
afirmou.
PEC
da Segurança Pública
Também participou do
encontro o deputado Mendonça Filho (União-PE), integrante da bancada e relator
da PEC da Segurança Pública na Câmara (PEC 18/2025). Segundo ele, a proposta
aprovada pelos deputados busca fortalecer a atuação do Estado no combate ao
crime e ampliar a cooperação entre as forças de segurança.
Entre as mudanças previstas
está a autorização para que policiais militares e rodoviários federais
registrem diretamente o Termo Circunstanciado de Ocorrência em crimes de menor
potencial ofensivo, evitando deslocamentos até delegacias.
“Em muitos casos, a polícia
percorre dezenas ou até centenas de quilômetros para registrar uma ocorrência
simples. Com a mudança, o registro poderá ser feito no local e encaminhado
diretamente ao Judiciário, dando mais agilidade ao sistema”, afirmou.
Mais
recursos e integração entre forças de segurança
A proposta também amplia os
recursos destinados à segurança pública. Segundo Mendonça Filho, os valores
mínimos do Fundo Nacional de Segurança Pública e do Fundo Penitenciário
Nacional foram triplicados, passando de cerca de R$ 2 bilhões para
aproximadamente R$ 6 bilhões anuais.
Mesmo assim, o parlamentar
afirma que o valor ainda é pequeno diante do gasto total com segurança pública
no país, estimado entre R$ 150 bilhões e R$ 180 bilhões por ano.
“Grande parte do orçamento é
destinada ao custeio de pessoal. Precisamos ampliar os investimentos em
tecnologia, inteligência e integração entre as forças policiais”, disse.
A PEC também busca ampliar o
compartilhamento de informações entre instituições responsáveis pelo combate ao
crime organizado. Segundo o relator, a falta de integração entre órgãos ainda
compromete a eficiência de diversas operações.
Confisco
de bens e enfrentamento às facções
O texto prevê ainda
mecanismos para acelerar o confisco e a destinação de bens apreendidos em
operações contra o crime organizado.
“Não é raro ver aeronaves,
imóveis ou veículos apreendidos se deteriorando durante anos enquanto aguardam
decisões judiciais. Precisamos transformar esses bens rapidamente em recursos
para a sociedade”, afirmou.
Outro ponto abordado por
Mendonça Filho foi a expansão de facções criminosas, que passaram a controlar
territórios e atividades econômicas em diferentes regiões do país.
“Em muitas áreas,
organizações criminosas cobram taxas sobre comércio, gás de cozinha, internet e
transporte. Isso cria uma economia paralela que encarece os negócios e afasta
investimentos”, disse.
Regras
mais rígidas para crimes graves
A proposta também estabelece
regras mais rígidas para líderes de facções e para crimes graves contra
mulheres, crianças e adolescentes.
“Crimes como o feminicídio
exigem uma resposta firme do Estado. Não podemos tratar da mesma forma um
pequeno delito e crimes de extrema gravidade”, afirmou.
A PEC ainda consolida na
Constituição o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), mecanismo criado para
integrar instituições responsáveis pela área.
Para Mendonça Filho, a proposta
representa um avanço importante no enfrentamento da violência.
“Não é uma solução mágica,
mas é um passo importante para fortalecer o Estado e combater a violência que
afeta milhões de brasileiros”, disse.
A PEC foi aprovada na Câmara
com 487 votos favoráveis entre os 513 deputados — uma das votações mais
expressivas registradas em propostas constitucionais recentes.
Com
informações da assessoria de imprensa



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