Em 18 de fevereiro é celebrado o Dia Nacional da Criança Traqueostomizada
![]() |
O número de crianças
traqueostomizadas no Brasil aumentou 23% entre 2022 e 2023, de acordo com
levantamento da Academia Brasileira de Otorrino Pediátrica (ABOPe), sendo
a maioria em crianças de 0 a 3 anos. Trata-se de uma população frequentemente
invisibilizada, com dados oficiais limitados, enfrentando dificuldades no
acesso a insumos básicos pelo SUS, como cânulas e aspiradores, e falta de
treinamento especializado, o que gera alto risco de internações, segundo a
otorrinolaringologista pediátrica Juliana Caixeta.
Com o objetivo de promover
ações de conscientização e de esclarecimento sobre os cuidados necessários às
crianças que passam por traqueostomias e sensibilizar profissionais da saúde,
sociedade e autoridades sobre a importância do atendimento multidisciplinar e
multiprofissional a essas crianças, foi criado o Dia da Criança
Traqueostomizada, celebrado em 18 de fevereiro, pela Associação Brasileira de
Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), Sociedade
Brasileira de Pediatria (SBP) e ABOPe.
A traqueostomia é uma técnica
médica que consiste na criação de uma abertura na traqueia, proporcionando uma
via alternativa para a passagem de ar em direção aos pulmões. A cirurgia
permite a passagem de ar do meio externo diretamente para a traquéia. Isso é
necessário em situações em que a criança não tem a via aérea superior pérvia e,
portanto, não consegue respirar de maneira adequada.
As causas principais que levam
crianças a passar por traqueostomia incluem doenças crônicas complexas,
neurológicas, pulmonares e cardiovasculares. Apesar de a maioria das crianças
que passam pelo procedimento serem do grupo de 0 a 3 anos, as complicações são
mais comuns em crianças de 1 a 4 anos, que têm quatro vezes mais chances de
complicações do que adolescentes. A presença de outras condições, como
gastrostomia, aumenta o risco.
Juliana Caixeta (foto) afirma que a
notícia de que a criança necessita de uma traqueostomia geralmente é recebida
com apreensão pelos pais, pois a maioria das pessoas não sabe quais os cuidados
devem ser tomados com a cânula. “As famílias ficam apreensivas sobre o
procedimento. É preciso superar a desinformação. Muitos pais contam já ter
sofrido algum tipo de preconceito e mesmo dificuldade de acesso a alguns
lugares, incluindo a escola”, explica a médica Juliana Caixeta.
“Faltam equipes
multiprofissionais e multidisciplinares Os familiares, muitas vezes, se
deslocam com as crianças por diversos locais para serem adequadamente
atendidos. Ainda existem custos associados ao uso da cânula, luvas, sondas de
aspiração e gases, que devem ser trocadas regularmente e, geralmente, são
custeadas pelas próprias famílias”, afirma.
A médica destaca que o
atendimento adequado é uma forma de diminuir o risco de complicações e morte,
bem como estimular ações de assistência adequadas para sua proteção e
tratamento. A conscientização é a maneira de permitir a inserção desses
pacientes e de seus familiares de forma plena na sociedade.
A falta de registros
consolidados dificulta o planejamento de políticas públicas específicas,
resultando em carência de assistência e materiais adequados. Outra situação
identificada é a falta de padronização na decanulação, que é a retirada da
cânula, e a escassez de suporte domiciliar levam a internações recorrentes. É
preciso ainda investir em humanização e educação, para assegurar a inclusão
escolar e o convívio social, evitando que as crianças fiquem restritas ao
ambiente hospitalar.
Por conta desta situação, o
Dia Nacional da Criança Traqueostomizada pretende, ainda, contribuir para a criação
de políticas públicas que visem ao cumprimento das recomendações oficiais sobre
os cuidados e condutas para as crianças traqueostomizadas, bem como auxiliar na
organização de centros de referência e na contratação de profissionais
especializados.
Serviço
Pauta: Dia da Criança
Tranqueostomizada
Quando: 18 de fevereiro




Comentários
Postar um comentário