Diário de 1888 que deu o título à MUG está disponível para download no Arquivo Público do Estado do Espírito Santo
Vitória (ES) - Com 180 pontos,
a escola de Vila Velha conquistou o título do Grupo Especial com o enredo “O
Diário Verde de Teresa”, inspirado na obra “Viagem ao Espírito Santo – 1888”,
publicada pela coleção Canaã do Arquivo Público do Estado do Espírito Santo
(APEES), com organização de Julio Bentivoglio e tradução de Sara Baldus. E aqui
está um detalhe que transforma essa vitória em legado: o livro que inspirou o
desfile está disponível gratuitamente para download no site do APEES. Ou seja,
a história que emocionou no Sambão do Povo pode agora emocionar leitores.
Em 1888, Teresa da Baviera
desembarcou no Brasil com espírito científico e curiosidade insaciável.
Autodidata, estudiosa de botânica, zoologia, geografia e história natural,
percorreu rios, florestas e vilarejos do Espírito Santo. Levava equipamento
fotográfico, contratava guias locais e registrava tudo. Catalogou espécies,
inventariou elementos naturais e manteve contato com os botocudos às margens do
Rio Doce. Seus cadernos de campo revelam não apenas a paisagem capixaba do
século XIX, mas também a força de uma mulher que ousou ocupar espaços
científicos em um tempo em que isso era exceção. Mais de um século depois, sua
escrita virou samba e a MUG transformou pesquisa histórica em espetáculo.
A ideia de transformar a
história de Teresa em enredo surgiu a pedido do carnavalesco Petterson Alves,
que queria abordar algo relacionado a meio ambiente em 2026. Assim, na busca
por uma história ou personagem que valorizasse a natureza capixaba, o enredista
Léo Soares reencontrou o livro "Viagem ao Espírito Santo - 1888", que
adquiriu no Arquivo Público durante as pesquisas para “Oby – O Imaculado
Santuário das Lendas”, ainda em 2019. A redescoberta casual foi, imediatamente,
escolhida pela escola como tema do Carnaval de Vitória 2026. No desfile,
passado e presente se entrelaçaram em um diálogo potente sobre preservação da
Mata Atlântica, povos originários, ciência e resistência ambiental, que levou a
escola ao seu 10º título.
Sob a presidência de
Robertinho da MUG e criação do carnavalesco Petterson Alves, a escola
apresentou quatro alegorias três carros e um tripé e 20 alas alinhadas à
proposta estética e conceitual do enredo. E foi além: realizou o primeiro
desfile 100% sustentável de sua história. Eliminou completamente o uso de
materiais naturais, substituindo-os por cerca de 40 mil penas artificiais em
tecido sintético impermeável. “Carnaval é espetáculo, mas também é
responsabilidade. Dá, sim, para encantar o público respeitando a natureza”,
afirmou o presidente da agremiação.
A vitória da MUG reafirma algo
poderoso: o Carnaval também é ferramenta de educação, preservação e acesso à
história. Quando um enredo nasce de um livro disponível ao público, o Arquivo
Público cumpre seu papel ao democratizar a informação, a escola cumpre o seu ao
transformar conhecimento em arte popular e o público ganha duas vezes.
Acesse o site oficial do
Arquivo Público do Estado do Espírito Santo (APEES) aqui: [https://ape.es.gov.br/]

.jpeg)
%20(1).jpeg)



Comentários
Postar um comentário