Cartão vermelho para a violência contra a mulher: OAB-ES e FES transformam o Capixabão em palco de conscientização
A
campanha será conduzida pela Comissão da Mulher Advogada da OAB-ES, que
mobilizará profissionais da advocacia para participarem ativamente das ações
nos jogos. Para a presidente da Comissão, Layla Freitas, o gesto tem força
simbólica e prática. “O estádio é um reflexo da sociedade. Quando uma mulher
entra em campo levando uma mensagem de conscientização, ela ocupa um espaço que
historicamente foi negado a muitas de nós. Essa campanha reafirma que lugar de
mulher é onde ela quiser, inclusive no futebol, e que o respeito precisa ser
regra dentro e fora de campo”, destaca.
A
diretora da Comissão da Mulher Advogada, Thuzza Machado, reforça que a ação vai
além da violência doméstica e amplia o debate sobre assédio e comportamento
social. “Estamos falando de um movimento educativo contínuo. A campanha combate
a violência doméstica, o assédio sexual e moral e qualquer forma de desrespeito
às mulheres. O futebol é um instrumento poderoso de comunicação e queremos
usá-lo para promover uma cultura mais humana, justa e responsável”, pontua.
Para
a presidente da OAB-ES, a ação representa um posicionamento institucional firme
diante de uma realidade que ainda atinge milhares de mulheres. “A violência
contra a mulher precisa ser enfrentada em todos os espaços, inclusive nos de
grande visibilidade social. O futebol mobiliza multidões e tem um papel
educativo fundamental. Ao levar essa mensagem para dentro dos estádios, estamos
dizendo que a sociedade não tolera mais nenhum tipo de violência, seja ela
física, psicológica, moral ou sexual”, afirma Érica Neves.
A
FES aderiu prontamente à iniciativa, reconhecendo o papel social do esporte e
sua capacidade de influenciar comportamentos. Para Gustavo Vieira, presidente
da Federação de Futebol do Espírito Santo, a parceria reforça o compromisso da
entidade com o respeito e a inclusão. “O público do futebol ainda é
majoritariamente masculino, e justamente por isso essa ação é tão importante.
Queremos sensibilizar torcedores, atletas, dirigentes e todos que fazem parte
do espetáculo esportivo. Respeito não é opcional. Assim como no futebol, a
violência precisa ser punida com cartão vermelho na vida”, afirma Vieira.
A
iniciativa também ganhou reconhecimento nacional. Durante sessão do Superior
Tribunal de Justiça Desportiva, realizada na quinta-feira (12), o auditor da Comissão
Disciplinar de Julgamento do STJD e ex-presidente do Tribunal de Justiça
Desportiva do Espírito Santo (TJD-ES), Eduardo Xible Ramos, fez questão de
registrar, elogiar e incentivar a campanha capixaba, destacando o protagonismo
do Estado na pauta. “Faço questão de registrar e parabenizar essa iniciativa da
OAB-ES e da Federação do meu Estado. É uma ação necessária, diante do aumento
de casos de violência em dias de jogos, e que merece ser replicada em todo o
país. Precisamos proteger os mais vulneráveis também dentro do esporte”,
afirmou.
A
campanha estará presente em todos os jogos do Capixabão 2026, campeonato que
reúne dez equipes e chega à sua nona rodada, com cinco partidas por semana. Em
cada estádio, uma representante da OAB-ES estará presente para reforçar a
mensagem de conscientização, transformando o futebol em um aliado na construção
de uma sociedade mais segura para as mulheres.
Ao
ocupar o gramado com uma mensagem clara e educativa, OAB-ES e FES mostram que o
futebol também pode ser ferramenta de cidadania. Porque, em qualquer campeonato
da vida, violência contra a mulher não tem espaço, não tem justificativa e não
passa do primeiro tempo. É cartão vermelho — sem direito a recurso.



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