Ataques de cães: como agir ao se deparar com animal solto na rua
As internações por mordidas de
cães cresceram 43,41% no Brasil nos últimos anos, saltando de 949
hospitalizações, em 2020, para 1.361 no ano passado, segundo dados do
Ministério da Saúde (DataSUS). No Distrito Federal, episódios recentes reforçam
o alerta. Desde novembro, ao menos sete ocorrências foram registradas no Guará
II, envolvendo ataques de matilhas com cães de grande porte soltos nas ruas.
Entre as vítimas estão idosos e crianças. Uma moradora de 70 anos precisou de
atendimento médico após ser mordida na mão e o cão da família passou por
cirurgia.
Para a professora de Medicina
Veterinária do Centro Universitário de Brasília (CEUB), Fabiana Volkweis, os
números evidenciam a urgência de fortalecer políticas de guarda responsável,
controle populacional e prevenção contínua. Segundo ela, o crescimento urbano
desordenado, o abandono de animais e a ausência de programas permanentes de
castração, vacinação e educação para a posse responsável contribuem para o
aumento das ocorrências. "A situação demanda resposta imediata, tanto do
poder público quanto da sociedade. Não se trata apenas de segurança, mas também
de saúde pública", afirma.
O abandono e os maus-tratos
ainda são realidade e refletem falhas na conscientização coletiva. De acordo
com a docente, a negligência individual pode gerar impactos diretos para toda a
comunidade. "A guarda responsável inclui impedir que o animal tenha acesso
livre às ruas, onde fica exposto a atropelamentos, brigas e doenças",
ressalta. Além dos riscos ao próprio animal, o tutor pode ser responsabilizado
civil e criminalmente caso o cão cause danos a terceiros.
Como agir ao se deparar com
cães soltos
A forma de reação pode evitar
que uma situação de risco evolua para ataque. A principal recomendação é manter
a calma. Correr, gritar ou fazer movimentos bruscos pode estimular o instinto
de perseguição do animal. Também não é indicado encará-lo fixamente, gesto que
pode ser interpretado como ameaça. "O ideal é manter postura firme, evitar
confronto direto e se afastar lentamente", orienta Fabiana. Caso o cão se
aproxime de forma agressiva, a recomendação é utilizar objetos como mochila ou
bolsa como barreira física e proteger regiões sensíveis do corpo, como mãos,
rosto e pescoço.
O que fazer em caso de mordida
Mesmo ferimentos aparentemente
leves exigem avaliação médica imediata. A primeira medida é lavar o local com
água corrente e sabão por vários minutos. Em seguida, é fundamental buscar
atendimento para verificar a necessidade de vacina antirrábica, antibióticos ou
outros cuidados. "Mordidas podem provocar infecções importantes, inclusive
doenças como a raiva. Não se deve subestimar o risco, mesmo para o animal que
aparenta ser saudável", alerta a especialista do CEUB.
Responsabilidade e medidas
legais
A legislação brasileira
estabelece que o tutor responde pelos danos causados por seu animal, salvo em
situações excepcionais. Permitir que o cão circule livremente pode caracterizar
negligência. Em caso de ataque, a vítima pode registrar ocorrência policial e
buscar reparação por danos físicos e morais. Moradores também podem acionar a
administração regional e os órgãos de vigilância ambiental para formalizar
denúncias, contribuindo para que o poder público adote medidas preventivas e
fiscalizatórias.
Com
informações da assessoria de imprensa



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