Abrati: “Segurança em primeiro lugar. Estamos preparados para suprir demanda provocada pela possível paralisação do setor aéreo”

 

Empresas reguladas de transporte interestadual de passageiros apresentam plano de contingência para o caso da confirmação da greve de pilotos e de comissários no feriado de Ano Novo. Uma assembleia geral está marcada para segunda-feira, dia 29

“O nosso negócio é, antes de mais nada, transportar vidas e fazer isso com segurança. É a nossa missão!”, garante a conselheira da Associação Brasileira das Empresas de Transporte Terrestre de Passageiros (Abrati), Letícia Pineschi, sobre o momento delicado que o setor rodoviário de passageiros atravessa em função da possível deflagração de greve do setor aéreo nesta virada para o Ano Novo.

“Esperamos que o impasse entre as empresas aéreas e os profissionais do setor seja resolvido. Mas, ao mesmo tempo, estamos disponibilizando a grande estrutura do nosso setor, acostumado aos picos de demandas sazonais, como uma segura opção de transportes das pessoas que podem enfrentar dificuldades nas viagens aéreas, em razão da diminuição de escala de voos. Com absoluta certeza poderemos viabilizar que as pessoas consigam chegar em segurança aos destinos que quiserem e possam abraçar os seus familiares ou mesmo apenas descansar conforme planejado em um local bacana no verão”, afirma Pineschi destacando que as empresas de ônibus já acionaram as equipes de logísticas para estudar e planejar as demandas nas rotas mais buscadas.

No transporte rodoviário regular, observa-se já nesta época um aumento de 35% no número de horários de partidas no mês, uma expectativa de 47.773 em 2025, frente ao total de 35.401 em 2024, pelos dados da ANTT, em reflexo à procura do período de festas de final de ano e de verão.

Com a efetivação da greve de operadores aeronáuticos e aeroportuários, a possibilidade de atrasos e cancelamentos em cascata de voos no Brasil é real, afetando diretamente passageiros das companhias Azul e Gol, que ainda não conseguiram negociação exitosa de convenção coletiva de trabalho com os funcionários.  

Enfim, declara Pineschi, se efetivada a paralisação, o setor rodoviário projeta continuidade de alta da demanda, que circunstancialmente já atinge a marca de 18% em função dos feriados. E mais procura virá dos passageiros prejudicados, impedidos de embarcar nos aeroportos. “Não medimos esforços para que os passageiros não sejam prejudicados. São eles, os passageiros, nossa constante preocupação, razão pela qual as empresas que prestam serviços regulares de transportes rodoviários de pessoas investiram, neste ano, mais de R$6 bilhões na renovação e modernização de suas frotas. Estamos preparados para atender essa demanda emergencial”.

A conselheira alerta ainda para os riscos para as pessoas que, “desesperadas para viajar”, acabam caindo nas mãos do transporte clandestino, lembrando a  interferência judicial nos órgãos reguladores. “Na contramão do compromisso com a segurança e a vida, recentemente algumas decisões judiciais flexibilizaram regras da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para autorizar empresas sem a devida estrutura profissional a operar linhas regulares, colocando em risco centenas de pessoas”, lamentou a conselheira.

“Agora mesmo em dezembro, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) deflagrou em todos os estados brasileiros uma operação fiscalizatória para garantir a segurança nas estradas. Condições de veículos, preparo e tempo de descanso dos motoristas estão sendo averiguados. Isso é preservar vidas”, concluiu Pineschi.

Dicas para quem teve o voo cancelado e vai viajar de ônibus

A ansiedade para chegar logo ao destino e o cansaço natural de mais um ano de atividades são inerentes nessa época. Mas vale lembrar algumas dicas importantes da conselheira Letícia Pineschi e das empresas de transportes interestadual de passageiros associadas à Abrati.

- Não viaje em transporte clandestino. Para ter certeza disso, compre sua passagem no site das empresas oficiais ou na rodoviária mais próxima.

- Mesmo comprando online, confira se a empresa tem guichê na rodoviária.

- Essas são medidas importantes para garantir que está viajando em uma empresa regular e segura.

- Se estiver viajando juntamente com passageiros menores de 18 anos, procure informações sobre todas as documentações necessárias para um embarque seguro.

 

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